quarta-feira, janeiro 25, 2006

A História (zzzzzzzzz......) Secreta




Terminei ontem, finalmente, A História Secreta da Donna Tart. Este livro atraiu-me desde a 1ª vez que o vi e lhe peguei, depois li tantas coisas boas sobre ele que um dia não resisti e comprei-o mesmo, apesar do enorme monte TBR e das "assustadoras" 699 páginas.
Não sei.... serei eu que este ano estou "contra" os livros? Já o primeiro do ano não tinha sido nada do outro mundo para mim, o segundo foi francamento mau apesar de ser de um dos meus autores favoritos, e agora também este me decepcionou. E aborreceu...

Estava avisada do início lento. Mas a mim pareceu tudo lento! Era prometido um thriller psicológico, uma (e cito) "história densa, perturbadora e arrepiante que combina a densidade psicológica das personagens e o vigor poético de um texto clássico com uma trama complexa e um ritmo alucinante". Calma aí! A história é densa sim, mas exactamente porque é constantemente "invadida" por referências à literatura clássica e a filósofos, dando a ideia que a autora se esqueceu da história que queria contar, aproveitando em vez disso para mostrar o quanto sabe sobre os clássicos... Arrepiante? Só se for pela frieza com que as personagens executam os seus actos, porque não há realmente nenhuma surpresa no livro. Ritmo alucinante?! Esta então é para rir... Tive de me forçar a ler passando por cima de tanto grego, Homero, citações clássicas, etc e tal.

Além disto, não há nada que nos atraia nas personagens. Não fui capaz realmente nem de gostar nem de detestar nenhuma delas. A história parece-me banal. E se calhar o pior de tudo foi a falta completa de linguagem simples, a constante busca de adjectivos e palavras "difíceis" e floreadas. Nem 8 nem 80, é preciso um meio termo que neste livro não existe. Vejam por exemplo esta passagem:
"Estava uma manhã quente e abafada, com as árvores a tremeluzir ao calor. Sentia-me esgrouviado e exaurido. O ar cálido vibrava com o zumbir das vespas e o rumurejar dos cortadores de relva. Os gaivões perseguiam-se aos pares, adejando e chilreando pelo céu."
Sim, percebi o que li. Mas era preciso "as árvores a tremeluzir ao calor", "esgrouviado e exaurido", "ar cálido vibrava com o zumbir das vespas e o rumurejar...", "adejando e chilreando", tudo isto num conjunto de menos de 50 palavras?! Agora imaginem o que é um livro inteiro disto...

Não quero desencorajar ninguém de ler o livro, até porque, como disse no início, sempre ouvi boas opiniões e pessoas satisfeitas. Mas para mim foi, apenas, boooooring...

12 comments:

Virgulina 25/1/06 12:45  

Até tenho medo de lhe pegar depois disto! ;o)

Anónimo 25/1/06 12:58  

Subscrevo praticamente tudo o que escreveste... tb foi uma grande decepção para mim e tava a ver que nunca mais acabava!! :P
M.

fantasma 25/1/06 13:04  

Obrigada, M! Ufa, estava a ver que era a única a não gostar!! :o)

Flor 25/1/06 13:49  

Eu gostei :-P

Anathema 25/1/06 14:48  

Pela pequena amostra parece realmente mto pesado!! Daqueles livros que para se perceber uma frase tem que se ler 3x...e na volta tem que se ir ao dicionário fazer a tradução :oS

Mas há gostos para tudo, para mim nada como as BD ;oP ihih

Tania Ho 25/1/06 16:48  

Bom, ainda bem que de vez em quando temos gostos diferentes .. eu gostei bastante, não consegui descansar enquanto não o li ate´ao fim ;-)

Descamisado 25/1/06 17:15  

Não conheço a autora nem a escrita, mas de apelido Tart não engana lol. E para mais, não haverá aí alguma liberdade de tradução para o português? Porque essa das "árvores a tremeluzir ao calor" parece um erro demasiado crasso para alguem que se pretende escritora mas já não falar dos excessos seguintes. E se isso acontece em meia duzia de frase imagino que o livro podia ter 80 paginas em vez de 700 "if she cut the crapp" e fosse direta ao assunto. Deixa lá, podes sempre refugiar-te no Koons. bjs

fantasma 25/1/06 17:20  

Hum, não deve ser só a tradução, excessos destes são constantes e não estou a ver o tradutor a dar-se a 700 páginas de trabalho de imaginação... Mas sim, metade das páginas já era + que suficiente!

E é Koontz! Se não estivesses descamisado, tinha de ir até à Suiça chegar-te a roupa ao pêlo... ;o))

PA 25/1/06 17:36  

Bem, eu gostei. Não achei assim naaaaaaada do outro mundo mas gostei. Não o achei assim tão aborrecido quanto isso se bem que concorde que as personagens poderiam ter um melhor desenvolvimento. Às citações em grego até achei piada mas a linguagem utilizada nalgumas partes era desnecessária, sim.
Lê-se. Ok. Segue-se em frente.
Não o consideraria como umas 'das' Leituras de 2005 mas gostei e foi prenda 'duns alguéns' muitos especiais.
;)

Joana 25/1/06 19:00  

Ola Fantasma,

eu tenho passado por ca mas nao ando muito comentadeira. gosto do teu blog e prontos, ficas a saber que eu ando por aqui a rondar
:-)

Alexandra 25/1/06 20:01  

Também foi uma das minhas maiores desilusões do ano passado. Deixa muito a desejar, especialmente porque acho que a premissa da história tem potencial.

fantasma 26/1/06 10:40  

Bem vinda, Joana! :o)

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